As
primeiras notícias que temos sobre a fermentação
da cana-de-açúcar vêm do Antigo Egito. Os egípcios,
em um ambiente fechado, inalavam o vapor aromatizado e fermentado
do bico da chaleira para curar algumas moléstias. Entretanto
foram os Gregos que conseguiram chegar ao processo "ácqua
ardens", a água que pega fogo, ou ainda, água
ardente.
Os
alquimistas descobriram a “água que pega fogo”
e atribuíram a ela alguns poderes medicinais. Dessa maneira,
a cachaça transforma-se na “água da vida”
(Eau de Vie), pois era a bebida da longevidade.
A
expansão do Império Romano proporcionou um alastramento
da bebida, assim, a Cachaça vai da Europa para o Oriente
Médio. São os árabes que descobrem os equipamentos
para destilação, parecidos com os que conhecemos hoje.
A
tecnologia se espalha pelo mundo e aperfeiçoa-se em cada
país. Na Itália a partir da destilação
da uva, surgiu o Grappa, na Alemanha, desenvolveu-se destilado de
cereja, o Kirch, na Escócia, o Whisky, destilado da cevada
sacarificada, na Rússia a Vodka a partir do centeio e na
China e no Japão, o Sakê, de arroz. Na
mesma época, surge em Portugal o destilado a partir do bagaço
da uva, a Bagaceira, tornando-se mais tarde a principal mercadoria
local, já que as relações comerciais portuguesas
não estavam passando por uma boa fase e era necessário
encontrar uma forma para a retomada dos lucros comerciais. Após
a expansão marítima, Portugal passa a viver uma das
piores fases de sua história. Com a anexação
de seu território com a Espanha, durante muitos anos, perde
seu monopólio comercial e a economia de sua colônia
americana pouco lucra nessa fase. Ao final desse período,
o país encontrava-se em uma das maiores crises financeiras
de sua história. Dessa forma, inicia-se a crise em Portugal
no século XVI atravessando todo o século seguinte
tornando o país dependente de seu concorrente mais próximo,
a Espanha, que passou a monopolizar rotas marítimas e comerciais
em todo o mundo. Em sessenta anos, Portugal perdeu todo seu comércio
oriental e algumas áreas na África.
A
salvação para Portugal, como acreditavam alguns, viria
das terras do Novo Mundo, já que, para D. João VI,
as novas terras eram uma grande “mina de ouro”.
Para
a ocupação e exploração das novas terras,
Portugal trouxe ao Brasil mudas de cana-de-açúcar,
vinda da Ilha da Madeira, onde as produziam. Os portugueses eram
os mais experientes em produção por isso a escolha
de tais mudas. Dessa forma, surgem os primeiros engenhos e conseqüentemente
as primeiras vilas em território brasileiro.
Os
primeiros colonizadores que vieram para o Brasil, apreciavam a Bagaceira
e o Vinho d'Oporto. Assim como a alimentação, toda
a bebida era trazida da Corte. Num engenho da Capitania de São
Vicente, entre 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana de açúcar
- Garapa Azeda - que fica ao relento em cochos de madeiras para
os animais, vinda dos tachos de rapadura. Era uma bebida limpa,
em comparação com o Cauim (vinho produzido pelos índios,
no qual todos cuspiam num enorme caldeirão de barro para
ajudar na fermentação do milho). Os Senhores de Engenho
passaram a servir o tal caldo, denominado Cagaça, aos escravos
para que esses pudessem suportar melhor a carga de trabalho. Em
seguida, tiveram a idéia de destilar a cagaça e assim
nasceu a tão popular cachaça.
A
partir disso, a cachaça torna-se moeda entre os escravos
e mercadores que trocavam a bebida por escravos na África.
Por
já existirem engenhos de produção de açúcar
e rapadura, as destilarias de cachaça, ou “casas de
cozer méis”, se multiplicaram. A Corte tentou, em vão,
proibir diversas vezes o consumo e até a fabricação,
pois não aceitava concorrência com a Bagaceira.
Além
de ser muito apreciada, a cachaça era utilizada para diminuir
o frio, principalmente em Minas Gerais, local que uma grande população
se concentrou em busca de ouro.
Em
1756, a aguardente foi taxada pela Coroa Portuguesa, contribuindo
para a reconstrução de Lisboa que, um ano antes, havia
sido abalada por um violento terremoto.
Símbolo
da resistência brasileira, a Cachaça esteve presente
nas mesas dos Inconfidentes e da população que apoiava
a conjuração. A aguardente da Terra se tornou um símbolo
da resistência à dominação portuguesa.
Com o passar do tempo as técnicas para a destilação
foram aperfeiçoadas e a cachaça passou a ser exaltada
por todos como uma ótima bebida, sendo consumida até
na Corte e em festas religiosas - o famoso Quentão. No século
XIX, com a economia cafeeira crescendo, o advento da república
e abolição da escravatura somado à ascensão
da moda européia no Brasil, a cachaça acaba sendo
deixada um pouco de lado sofrendo muitos preconceitos.
Em
1922, com a Semana da Arte Moderna, a cachaça ganha novamente
espaço e reconhecimento entre a população.
Atualmente
a cachaça se aperfeiçoou em qualidade com melhorias
das técnicas de produção e a típica
bebida do Brasil passou a ser apreciada por todos. Apesar de ainda
sofrer preconceitos, a cachaça ganhou o cenário mundial
e hoje qualquer adega ou restaurante de boa qualidade devem ter
presente em seu bar uma boa cachaça. Várias destilarias
do país possuem controle de qualidade e embalagens dignas
dos melhores uísques. Esse empenho dos fabricantes conquistou
o público feminino, abriu comércio nacional e a cachaça
brasileira ganhou o mundo.
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FONTES:
· http://www.toneis.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=56
· http://www.cumbuca.com.br/gostosas_hc.htm
· http://www.museudacachacamg.com.br/paginas/acachaca.htm
· http://www.chefonline.com.br/cachacas/cachacas.php?codigo=22
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